AVALIAR PARA ENSINAR OU ENSINAR PARA AVALIAR
Tânia
de Jesus M. Campos
O ensino fundamenta-se na estimulação, que é
favorecida por recursos didáticos que facilitam a aprendizagem. Esses meios
despertam o interesse e provocam a discussão e debates, desencadeando perguntas
e gerando idéias. Gagné diz que “o conhecimento científico depende, em última
análise, da observação direta dos fatos e das coisas”. Trata-se de ver o fato,
estar junto para senti-lo.
Certos autores dizem que ninguém ensina ninguém.
Outros dizem que o ensino é a ação docente para que o aluno realize a aprendizagem.
“Ensinar é organizar as condições exteriores para que se processe a
aprendizagem”.
O que seria a ação docente? O que seria organizar
as condições e quais seriam as condições exteriores?
Uma das condições é o professor. Ele como pessoa
com estilo próprio de atuar em sala de aula, suas qualidades, suas habilidades
intelectuais e psicomotoras. O professor, no ato de ensinar, é uma condição
externa para que o aluno possa aprender. Este professor tem sido alvo de
questionamentos sobre a qualidade do ensino que está proporcionando aos alunos.
Segundo estudos da SUAVE (Supervisão de Avaliação
Escolar) da SEDUC-MA a média de proficiência do Maranhão em Língua Portuguesa
do Ensino Médio é de 242,24 e de Matemática é de 239,98, ficando em 26º lugar
no ranque nacional, longe de alcançar a média ideal que seria de 375 à 400.
Isto implica afirmar de os alunos estão sendo aprovados sem qualidade e esta
aprovação tem permitido a elevação do IDEB das Escolas, já que é um dos itens
de avaliação para extração da nota do IDEB. Outra situação da falta de
qualidade na aprovação são as notas observadas no diário eletrônico do
professor.
Segundo relatórios do SIAEP, muitos professores têm
avaliado os alunos desconsiderando os três eixos de competências. Há escolas em
que alunos apresentam a seguinte média anual:
|
Nº
|
ALUNO
(A)
|
PRT
|
MTM
|
HST
|
GGF
|
BIO
|
QUIM
|
FIS
|
SOCI
|
|
01
|
João dos Santos Pinheiro
|
4,0
|
7,0
|
8,0
|
7,5
|
8,0
|
9,0
|
8,5
|
9,0
|
Como pode um aluno assíduo adquirir habilidades
esperadas em quase todas as disciplinas com exceção Língua Portuguesa? Quais
foram os critérios avaliados nas disciplinas para obtenção de tais notas? Se o
aluno tem dificuldades no seu próprio dialeto, como pode ter domínio competente
no uso de linguagens, código e tecnologias nas demais disciplinas a partir do
eixo representação e comunicação? Como expressou seus conhecimentos adquiridos
a partir do eixo investigação e compreensão? Como o aluno expressou que
aprendeu como vai utilizar o conhecimento adquirido no seu contexto social a
partir do eixo contextualização sócio cultural?
Tais questões no remetem a refletir sobre a
qualidade dos instrumentos de avaliação evidenciados pela nota obtida pelos
alunos. Deve-se lembrar que avaliação é um processo abrangente da existência
humana, que implica uma reflexão crítica sobre a prática, no sentido de captar
seus avanços, suas resistências, suas dificuldades e possibilitar uma tomada de
decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos. A avaliação deve ser
usada como recurso metodológico de reorientação no processo ensino
aprendizagem. A nota é uma exigência formal do sistema educacional que
quantifica a aprendizagem. Essa quantificação é considerada como uma
representação simbólica o quanto o aluno conhece, domina, a cerca do currículo
que foi ensinado. Desse modo a nota torna-se um fim, pois, quando o professor
“corrige” uma prova a nota obtida evidencia o número de acertos. E depois, o
que é feito com os erros? Se o professor
ver a nota como um meio de tomada de decisão sobre o que fazer para que
o aluno aprenda o que evidenciou na prova que não aprendeu, ele usa a nota como
um meio. Se o professor usa a nota de forma contrária ele apenas classifica os
alunos sem utilizar o processo de avaliação.
As propostas de instrumentos de avaliação devem ser
reflexiva, relacional e compreensiva. Olhando para a sua avaliação o professor
deve ver ali o reflexo que é essencial em sua área de conhecimento, aquilo que
é realmente significativo que os alunos tenham aprendido. Auto-análise: é isto
que espero dos meus alunos? É isto que considero importante? Tomemos um exemplo
de um item avaliativo: “Em uma subtração, o resultado é cinco. Se nós
aumentássemos o minuendo em três unidades e diminuirmos o subtraendo em duas
unidades, qual será o novo resultado?”. Vemos que um problema como este não
pode ser resolvido sem o domínio dos nomes dos termos, efetivamente não é um
conteúdo essencial. O que interessa no caso,
é o que acontece com a subtração, com o movimento das quantidades.
A prática de diversificar os tipos de questões é
interessante: testes objetivos, V ou F, palavras cruzadas, completar, pedir
desenhos, enumerar de acordo com a ordem da ocorrência, copiar parte do texto
de acordo com critérios, associar, formar frases com palavras dadas, etc.
Destacamos, no entanto, a necessidade de espaço para a avaliação dissertativa,
para dar oportunidade da expressão mais sintética do conhecimento (síntese
construída pelo aluno). Dar peso maior para as questões dissertativas, por
exigirem maior empenho e domínio do conhecimento. Já a contextualização das
questões é fundamental: questões a partir de textos, perguntas relacionadas à
aplicação da prática, problemas com significado, acompanhados por desenhos, gráficos,
esquemas, etc.
Existe uma tendência autoritária de se solicitar,
nas avaliações, exercícios com grau de complexidade bem mais elevado do que
dado em sala de aula. Não se trata de das na avaliação exercícios iguais aos
desenvolvidos em sala de aula, mas sim o mesmo nível de complexidade já que
deve haver continuidade entre o trabalho de sala de aula e avaliação, pois
fazem parte de um mesmo processo.
Desse modo, é importante refletirmos sobre a
qualidade do ensino-aprendizagem das Escolas, que em boa parte somos
responsáveis pelos indicadores evidentes no rendimento escolar dos alunos. Cabe
a nós decidirmos se queremos contribuir para o desenvolvimento dos adolescentes
e jovens que estão em nossas mãos, ou torná-los refém de um sistema seletivo e
classificatório que descarta aqueles que aprovamos sem qualidade.
Referencias
Bibliográficas
MARTINS, Ilza Sant’Anna & MENEGOLLA,
Maximiliano. Didática: aprender a ensinar.Ed. loyla SP.2007.
VASCONCELLOS, Celso dos S. Avaliação Concepção Dialética-libertadora
do processo de avaliação escolar. Ed. Libertard. SP 18ª Ed. 2008.
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