sexta-feira, 16 de agosto de 2013

AVALIAR PARA ENSINAR OU ENSINAR PARA AVALIAR

Tânia de Jesus M. Campos


O ensino fundamenta-se na estimulação, que é favorecida por recursos didáticos que facilitam a aprendizagem. Esses meios despertam o interesse e provocam a discussão e debates, desencadeando perguntas e gerando idéias. Gagné diz que “o conhecimento científico depende, em última análise, da observação direta dos fatos e das coisas”. Trata-se de ver o fato, estar junto para senti-lo.
Certos autores dizem que ninguém ensina ninguém. Outros dizem que o ensino é a ação docente para que o aluno realize a aprendizagem. “Ensinar é organizar as condições exteriores para que se processe a aprendizagem”.
O que seria a ação docente? O que seria organizar as condições e quais seriam as condições exteriores?
Uma das condições é o professor. Ele como pessoa com estilo próprio de atuar em sala de aula, suas qualidades, suas habilidades intelectuais e psicomotoras. O professor, no ato de ensinar, é uma condição externa para que o aluno possa aprender. Este professor tem sido alvo de questionamentos sobre a qualidade do ensino que está proporcionando aos alunos.
Segundo estudos da SUAVE (Supervisão de Avaliação Escolar) da SEDUC-MA a média de proficiência do Maranhão em Língua Portuguesa do Ensino Médio é de 242,24 e de Matemática é de 239,98, ficando em 26º lugar no ranque nacional, longe de alcançar a média ideal que seria de 375 à 400. Isto implica afirmar de os alunos estão sendo aprovados sem qualidade e esta aprovação tem permitido a elevação do IDEB das Escolas, já que é um dos itens de avaliação para extração da nota do IDEB. Outra situação da falta de qualidade na aprovação são as notas observadas no diário eletrônico do professor.
Segundo relatórios do SIAEP, muitos professores têm avaliado os alunos desconsiderando os três eixos de competências. Há escolas em que alunos apresentam a seguinte média anual:
ALUNO (A)
PRT
MTM
HST
GGF
BIO
QUIM
FIS
SOCI
01
João dos Santos Pinheiro
4,0
7,0
8,0
7,5
8,0
9,0
8,5
9,0

Como pode um aluno assíduo adquirir habilidades esperadas em quase todas as disciplinas com exceção Língua Portuguesa? Quais foram os critérios avaliados nas disciplinas para obtenção de tais notas? Se o aluno tem dificuldades no seu próprio dialeto, como pode ter domínio competente no uso de linguagens, código e tecnologias nas demais disciplinas a partir do eixo representação e comunicação? Como expressou seus conhecimentos adquiridos a partir do eixo investigação e compreensão? Como o aluno expressou que aprendeu como vai utilizar o conhecimento adquirido no seu contexto social a partir do eixo contextualização sócio cultural?
Tais questões no remetem a refletir sobre a qualidade dos instrumentos de avaliação evidenciados pela nota obtida pelos alunos. Deve-se lembrar que avaliação é um processo abrangente da existência humana, que implica uma reflexão crítica sobre a prática, no sentido de captar seus avanços, suas resistências, suas dificuldades e possibilitar uma tomada de decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos. A avaliação deve ser usada como recurso metodológico de reorientação no processo ensino aprendizagem. A nota é uma exigência formal do sistema educacional que quantifica a aprendizagem. Essa quantificação é considerada como uma representação simbólica o quanto o aluno conhece, domina, a cerca do currículo que foi ensinado. Desse modo a nota torna-se um fim, pois, quando o professor “corrige” uma prova a nota obtida evidencia o número de acertos. E depois, o que é feito com os erros? Se o professor  ver a nota como um meio de tomada de decisão sobre o que fazer para que o aluno aprenda o que evidenciou na prova que não aprendeu, ele usa a nota como um meio. Se o professor usa a nota de forma contrária ele apenas classifica os alunos sem utilizar o processo de avaliação.  
As propostas de instrumentos de avaliação devem ser reflexiva, relacional e compreensiva. Olhando para a sua avaliação o professor deve ver ali o reflexo que é essencial em sua área de conhecimento, aquilo que é realmente significativo que os alunos tenham aprendido. Auto-análise: é isto que espero dos meus alunos? É isto que considero importante? Tomemos um exemplo de um item avaliativo: “Em uma subtração, o resultado é cinco. Se nós aumentássemos o minuendo em três unidades e diminuirmos o subtraendo em duas unidades, qual será o novo resultado?”. Vemos que um problema como este não pode ser resolvido sem o domínio dos nomes dos termos, efetivamente não é um conteúdo essencial. O que interessa no caso,  é o que acontece com a subtração, com o movimento das quantidades.
A prática de diversificar os tipos de questões é interessante: testes objetivos, V ou F, palavras cruzadas, completar, pedir desenhos, enumerar de acordo com a ordem da ocorrência, copiar parte do texto de acordo com critérios, associar, formar frases com palavras dadas, etc. Destacamos, no entanto, a necessidade de espaço para a avaliação dissertativa, para dar oportunidade da expressão mais sintética do conhecimento (síntese construída pelo aluno). Dar peso maior para as questões dissertativas, por exigirem maior empenho e domínio do conhecimento. Já a contextualização das questões é fundamental: questões a partir de textos, perguntas relacionadas à aplicação da prática, problemas com significado, acompanhados por desenhos, gráficos, esquemas, etc.
Existe uma tendência autoritária de se solicitar, nas avaliações, exercícios com grau de complexidade bem mais elevado do que dado em sala de aula. Não se trata de das na avaliação exercícios iguais aos desenvolvidos em sala de aula, mas sim o mesmo nível de complexidade já que deve haver continuidade entre o trabalho de sala de aula e avaliação, pois fazem parte de um mesmo processo.
Desse modo, é importante refletirmos sobre a qualidade do ensino-aprendizagem das Escolas, que em boa parte somos responsáveis pelos indicadores evidentes no rendimento escolar dos alunos. Cabe a nós decidirmos se queremos contribuir para o desenvolvimento dos adolescentes e jovens que estão em nossas mãos, ou torná-los refém de um sistema seletivo e classificatório que descarta aqueles que aprovamos sem qualidade.
Referencias Bibliográficas
MARTINS, Ilza Sant’Anna & MENEGOLLA, Maximiliano. Didática: aprender a ensinar.Ed. loyla SP.2007.
VASCONCELLOS, Celso dos S. Avaliação Concepção Dialética-libertadora do processo de avaliação escolar. Ed. Libertard. SP 18ª Ed. 2008.

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